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MORE

Num só blog, está tudo aqui! O MORE tem desabafos/opiniões em relação a mim e ao que se passa à minha volta. Tem sugestões de cinema, televisão e não só. E tem mais, muito mais...

09
Nov16

Robbie Williams nu...

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Pois! Parece que sim! Ele está mesmo nu, numa capa da revista Attitude, que é direcionada ao público gay. No interior dessa revista, não sei se ele mostra muito mais, coisa que eu duvido, mas por lá, ele chega a confessar que é viciado em sexo e tem ainda outras revelações.

 

Em outros tempos, numa altura em que eu adorava o Robbie, eu teria ficado de cabeça perdida com esta revista mas agora, acho que não achei nada de especial...

 

(mas quis na mesma dar destaque ao bad boy aqui no MORE)

09
Nov16

Trump ganhou... E agora??

Eu gostava de saber a resposta a essa pergunta, mas a verdade é que não sei. O que sei, é que maus tempos se avizinham. Não só lá para os lados da América, como também para o resto do Mundo. Ouvi ainda há pouco alguém dizer, que com essa vitória de Trump, já é uma certeza absoluta de que a terceira guerra mundial vai começar em breve. Mas em guerra, eu acho que infelizmente já todos andamos. Portugal é que ainda está num cantinho do Paraíso, mas a guerra (das diferentes formas possíveis), já esta ativa há muitos anos em vários locais do mundo e… Será que tudo agora vai piorar?

 

Eu não percebo nada de politica e por norma, nem gosto de falar sobre isso. Acho que por vezes até me fazia falta ter mais alguns conhecimentos em relação à politica, mas a verdade é que isso não me interessa. Por isso, como seria de se esperar, eu não acompanhei nem de perto, nem de longe, essas recentes eleições americanas. No entanto, do pouco que fui vendo na internet, temo cá para mim que essa vitória do Donald Trump, vai ter um sabor muito amargo na vida de todos nós. Eu espero estar enganado, se bem que, algo me diz que não estou. Verdade??

09
Nov16

A estranha moda dos cozinheiros sem roupa

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Cozinhar está na moda! E isso vemos através dos muitos programas que se encontram pelos vários canais de televisão, e que são dedicados à paixão pela cozinha. Há os Masterchefs, os Best Bakery, e até canais inteiramente dedicados à cozinha, como é o caso do 24Kitchen e o Food Network. Mas cozinhar também está na moda pelos canais do YouTube. Hoje em dia, quem quiser aprender a fazer algo interessante, basta passar pelo YouTube, fazer uma breve pesquisa, que rapidamente irão encontrar uma série de youtubers com receitas curiosas. E se há uns tempos atrás descobri que já começam a surgir restaurantes, onde os clientes têm que ir completamente nus para a mesa, não é de estranhar que os cozinheiros também queiram agora cozinhar, completamente despidos, mas atenção! Não pode ser qualquer cozinheiro. Tem que ser um que dê mesmo vontade de comer. E olha que estou só a falar das comidas que eles fazem, se bem que, também a eles dá vontade de os comer.

 

Na antiga versão do MORE eu já aqui tinha falado do Chef Adrian De Berardinis, que tem um canal do YouTube, onde nos ensina a fazer receitas deliciosas mas o que salta á vista, não é propriamente as suas receitas mas sim o Chef em si. É que ele é conhecido por cozinhar nu. Não totalmente nu, pois ele usa um mini avental que tapa a parte mais sensível do seu corpo. Até porque, cozinhar com o ‘pepino’ à mostra, não deve ser das coisas mais higiénicas. No entanto, para além do Chef Adrian De Berardinis, há outros que estão a seguir os mesmos passos pelo YouTube. Completamente despidos, ou nem tanto, eles aproveitam a sua beleza e o seu carisma, para apresentarem receitas deliciosas. Um dos cozinheiros que ultimamente tem sido noticia pela internet, é este aqui:

 

 

O seu nome é Franco Noriega e ele tem feito um enorme sucesso pelas redes sociais. Apesar de ser do Peru, foi em Nova Iorque que ele começou a dar os primeiros passos na moda, tendo trabalhado com várias marcas de prestigio. Mas hoje, esse sensual peruano e cheio de pimenta por todos os lados, tornou-se num cozinheiro e tem já um restaurante em Manhattan. Pela sua beleza e por estar quase sempre despido, ele já tem uma legião de fãs pelas redes sociais e talvez devido a todo esse seu carisma, o jovem de 27 anos tem agora um canal no YouTube onde mostra-nos algumas receitas, tais como esta:

 

 

Mas… depois de verem o vídeo, sejam sinceros e me digam: será que prestaram mesmo atenção na receita? Se eu perguntar-vos que ingredientes é que ele usou, vocês conseguem dar-me a resposta completa? Eu calculo que não! Imagino que os vossos olhos tenham ficado centrado em outras coisas, não é verdade? Enfim! Estes são mais um dos vídeos que se encontram pela net e eu espero que gostem…

09
Nov16

Qual o tempo de vida de um rato?

Ora aí está uma boa pergunta, que eu até gostava de ver respondida. E eu até já perguntei hoje ao senhor vendedor de ratos mas ele não me soube dar uma resposta muito coerente. Por isso, continuo com a mesma dúvida e o que eu acho, é que os ratos de hoje em dia já não são feitos para durar.

 

Infelizmente, o ratinho que eu tinha cá em casa morreu! Pois é! Já não aguentou mais e foi desta para melhor. E eu não percebo! Eu até tomava conta do ratinho. Quase todos os dias estava com ele. Estava sempre a tocar-lhe, a dar-lhe carinhos e alimentação foi quase que não faltou. Sempre que ele dava sinal de querer energia, eu alimentava o pobre bichinho. E tá certo que é verdade que houve algumas vezes, que sem querer, deixei-o cair ao chão mas… será isso motivo para ele morrer? É que sem exagero, só este ano, já tive que comprar três ratos novos. Hoje foi mais um! O que é que se anda a passar?

 

Bom! Mas antes o rato, do que o teclado, ou do PC, ou então do meu disco rígido externo. Aliás! Se o meu disco externo avariar, eu acho que me atiro da janela abaixo. Moro num rés do chão, mas atiro-me na mesma! É que no disco, eu tenho lá quase toda a minha vida. Por isso, mais vale que seja o rato a morrer e eles até andam agora baratinhos…

08
Nov16

Uma avaria no meu gaydar...

Quando se fala nos gays, como eu, é frequente ouvir-se dizer que os gays, têm tipo uma antena, que dá sinal, vibra quando estamos perante outro homossexual. Na vida, ninguém anda com um post-it colado à testa, a dizer se é hetro, se é gay, se é bi, ou se é outra coisa qualquer. No entanto, graças a essa antena virtual que os gays têm, basta um gay olhar para um outro homem que esteja à sua frente, que de imediato essa antena dá sinal, dizendo se esse outro homem é gay ou não, mas… que antena será esse que eu nunca tive?

 

Com certeza já todos devem ter ouvido a palavra ‘gaydar’. Essa é a palavra que se dá a essa antena virtual que todo o gay tem, ou que pelo menos devia ter, pois infelizmente, eu nunca tive a oportunidade de a ter. Ou talvez, pensando bem, eu, como qualquer gay, tenho também essa antena só que no meu caso, essa antena com certeza tem estado avariada. E não é de agora! É já de muto longe, desde os tempos em que era adolescente e essa avaria no meu gaydar, só me provocava chatices. Ainda hoje provoca, mas agora, acho que já estou prevenido contra essa avaria.

 

No meu historial de paixões, graças ao meu problema no gaydar, eu sempre me apaixonei pelas pessoas erradas. Pessoas essas que eram heterossexuais e que, de forma alguma, não seria por causa do meu amor que eles iriam-se converter. Graças a esse problema, eu sofri horrores durante vários anos e quando não dava mais para suportar toda essa dor, tomei uma decisão. Decisão essa que passou por nunca prestar atenção aos sinais do meu suposto gaydar e ainda por apresentar uma providencia cautelar ao senhor Cupido, de forma a impedir que ele se aproximasse de mim. E graças a isso, já não me dou ao luxo de me apaixonar pela pessoa errada e nem de sofrer por causa disso, mas… Ultimamente tenho andado a passar por uma situação que está a dar que pensar.

 

Apesar de ter prometido a mim mesmo, que jamais iria apaixonar-me por um colega, a verdade, é que no meu local de trabalho há um jovem que, eu diria que ele é particularmente estranho. O seu nome é Rúben e eu acredito que ele tenha a mesma idade que eu. Se é gay, ou hétero? Não faço a mínima ideia e não dá para confiar no meu gaydar para chegar a uma conclusão. O que eu sei, é que esse jovem tem comportamentos comigo, que nenhum outro homem no meu trabalho tem e esses comportamentos deixam-me confuso. Ele é simpático! Mas por norma, todos os outros colegas masculinos no meu trabalho o são. O que o torna diferente, é o facto de ele ser querido para mim. Ele não só é simpático, como é particularmente querido comigo. É super atencioso e quando temos o privilégio de nos cruzarmos, ele para além de me cumprimentar com toda a simpatia do mundo, sinto que ele tem sempre a necessidade de me tocar. Com um sorriso maravilhoso nos seus grandes lábios, ele toca com muita frequência no meu braço, no meu ombro e eu até poderia estar a imaginar coisas mas sei que não estou, já houve dias em que de forma bastante carinhosa, ele deu-me beliscões no meu braço e… Será essa uma atitude normal, de um colega para um outro colega? Pelo menos de uma coisa eu si, esse Rúben é o único que me trata assim com tanta atenção e eu já nem sei o que pensar. Será que ele é gay? Será que ele tem andado a namoriscar comigo e eu não tenho dado atenção a esses sinais? Não sei! O que sei, é que quanto a isso, eu não vou fazer rigorosamente nada. O Rúben até é bonito. É querido. Usa óculos e enfim, vocês já sabem que eu tenho um certo fetiche por homens que usam óculos. E depois ele tem um corpo jeitoso, um rabo que encaixa perfeitamente naquelas suas calças e uns braços que… meu Deus! Ele com toda a certeza faz o meu tipo e eu tenho a certeza que jamais faria o tipo dele.

 

E agora que eu contei essa história entre mim o Rúben, o que é que vocês acham em relação a isso? Acham que eu devo estar apenas a imaginar coisas ou ele pode mesmo a estar a dar em cima de mim? Será que devo agir? Será que devo continuar a ignorar? Eu já quis confiar no meu gaydar mas por via das dúvidas, achei melhor não prestar atenção aos meus sinais. Eu até já tentei perceber se nos seus dedos, o Rúben tem algum desses anais/algemas de compromisso, mas não, acho que ele não tem. Um dia, cheguei até a vê-lo com uma rapariga, mas não havia intimidades entre eles e ela até podia ser uma amiga, ou talvez até podia ser sua irmã. Mas não, não me pareceu que fosse uma namorada mas… Nunca se sabe! Já me enganei tantas vezes que agora, mais vale prevenir do que remediar. O que acham??

08
Nov16

Ontem foi o dia da preguiça...

...e eu nem sabia que esse dia existia. Se bem que, hoje em dia há dias para tudo! Há o dia do Beijo, o dia do Sexo, o dia do Riso, o dia da Mulher sem Soutien e por isso, porque não haver também um dia da Preguiça? E será que ontem, aproveitei esse dia ao máximo e fiquei o dia todo na preguiça? Bem! Na verdade, eu não fiquei na preguiça. Estive realmente o dia todo de pijama, nem sequer coloquei os pés na rua, mas não foi preguiça! Estava meio adoentado. Com o nariz a fazer descargas de entulho à toda a hora, com o corpo mole por causa da sessão de espirros por qual eu passei no fim-de-semana, e ainda, andava sobre o efeito dos anti-histamínicos e por isso, acho que infelizmente não soube aproveitar da melhor forma esse dia da Preguiça. Que pena!! Para o ano, prometo não me esquecer desse dia e vou aproveitá-lo ao máximo.

 

E vocês?! O que não fizeram neste dia da preguiça?

07
Nov16

Nunca (e é mesmo nunca!) vou voltar a um Call Center

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No outro dia li essa notícia deprimente e de imediato lembrei-me do ódio que tenho pelos call centers. Pode ser exagerado e até muito estranho aquilo que vou dizer, mas eu prefiro morrer à fome do que vender a minha alma ao diabo. Porque para mim, ir trabalhar num cal center é realmente isso: vender a alma ao diabo. E olha que por alguns anos, eu já trabalhei em alguns call centers através de empresas de trabalho temporário, mas há cerca de cinco anos, prometi a mim mesmo que nunca mais voltaria para um trabalho de escravo como esse. Independentemente do que me viesse a acontecer a nível profissional e financeiramente, prometi que não voltava e assim será.

 

Já tive várias discussões com algumas pessoas, por causa da minha maneira de pensar. Segundo o que essas pessoas diziam, o trabalho de call center era um trabalho como qualquer outro mas… Mentira! Desculpa dizer isso mas essa é uma grande mentira! O trabalho de call center é um trabalho que serve apenas para explorar ao máximo, aqueles que infelizmente andam no desespero, que não conseguem arranjar um trabalho à sua altura, pois todos batem-lhes com a porta na cara alegando que não têm experiência para o cargo a que se candidatam e com medo de ficarem atolados em dívidas, em problemas, em chatices, as vezes por parte dos familiares que os pressionam para arranjar um trabalho, essas pessoas acabam por sujeitarem-se a um trabalho de escravo. Um trabalho mal remunerado, com contratos mensais, semanais, ou agora até diários. Sem garantias de permanência, com objetivos absurdos. Com pressões exageradas e muitas das vezes, com formações (da treta) de um mês, que no final até nem pagam essa formação. Meu Deus! Estamos no século XXI não estamos?

 

Como já aqui disse eu já trabalhei em vários call centres. Mas por onde eu andei, era apenas trabalho de prestar informações. Sempre me recusei a trabalhar num call center em que o principal objetivo era a venda pura e dura. Ou melhor, onde o principal objetivo era enganar a torto e a direito, os mais frágeis, que facilmente deixam-se levar por um jogo de palavras bonitas, ditas pelo operador. Mas até mesmo nas linhas onde trabalhei, que era somente para prestar informações, muitas das vezes sentia que estava na mesma a enganar o cliente, pois somos obrigados a isso constantemente e… não há quem aguente! Eu pelo menos não aguento! Se há coisa que eu detesto é que me enganem e por isso, porque tenho que ser eu a enganar os outros? Depois de algum tempo a passar de call center em call center, cheguei à conclusão de que não dava mais. Era impossível ficar oito horas por dia a ouvir reclamações e por isso, um dia, farto de tanta exploração, disse para mim mesmo e para os meus chefes na altura, que aquele trabalho não era decididamente para mim. Posso não ter o 12º ano, mas de uma coisa eu sei, tenho competências para trabalhos bem melhores do que esses call centres e por isso, nunca mais volto a eles. E eu sei que nunca se deve dizer nunca mas acreditem, no meu caso, posso até estar na rua, a dormir debaixo da ponte, mas não volto. Não volto mesmo!

 

Antes de estar no trabalho onde estou atualmente, fiquei desempregado por opção durante três anos. E sim! Foi mesmo por opção! Eu até estava num bom trabalho, com bons horários, até nem recebia mal, era efetivo, mas um dia cheguei à conclusão de que estar atrás de um balcão também não era para mim. Saí desse trabalho e durante três anos fiquei desempregado, e dediquei-me inteiramente aos estudos. Consegui tirar um curso que há muito queria tirar e ao longo desses três anos não pensei em trabalho. Quando o curso terminou e infelizmente não consegui arranjar nem estágio, não tive outra opção senão começar à procura de outras funções. Apesar de ter sido o melhor da minha turma, de ter tido a nota mais alta, por onde eu passava, diziam-me sempre que eu não tinha experiência para a função. O que para mim era ridículo. Experiência eu até tinha pois conseguia a 100% fazer aquilo que eles pretendiam, o que eu ainda não tinha, era tido a oportunidade de trabalhar nessa minha área e colocar essa experiência no meu currículo. Mas enfim! Quando vi que já não dava mais para ficar desempregado, comecei a enviar currículos e infelizmente, aqueles que respondiam aos meus emails, eram as empresas de trabalho temporário, que a toda a hora andam à procura de mais ‘escravos’ para serem atirados aos leões nessas empresas de call center. Mas acreditem ou não, nessa altura recusei todas as entrevistas de trabalho para essa função e foram muitas. Mas recusei, pois mesmo no desespero, quis manter a minha promessa e ainda bem que recusei. Tempos depois fui chamado para o trabalho onde estou atualmente e apesar de não estar a fazer aquilo que realmente queria fazer, algo que tivesse ligado ao curso que tirei, a verdade é que até sinto-me bem no local onde estou. Já lá estou há mais de um ano, já sou efetivo, não posso dizer que recebo muito mas também não recebo mal, mas dá para viver. E dá para manter essa promessa de pé. Voltar ao sitio que me fazia chorar, ter pesadelos, calafrios, sentimentos de revolta, fúria, raiva, enfim… Call centres, nunca mais!

 

E desde já peço desculpas a todos aqueles que possam sentir-se ofendidos com este meu desabafo, mas essa é a minha opinião em relação aos call centres. E se aparecer por aqui alguém a dizer que até gosta de trabalhar nesses sítios, desculpem a minha total sinceridade, mas nunca irei acreditar nessa afirmação. Mas podemos aqui iniciar uma discussão – saudável e amigável – em relação ao assunto. O que acham?!

07
Nov16

Deixei escapar um domingo...

Ontem foi o primeiro domingo do mês e como tal, tinha apontado na minha agenda de que, a partir deste mês de Novembro, iria aproveitar todos os primeiros domingos do mês para visitar um museu. Já que as entradas são grátis, uma pessoa tem mesmo é que aproveitar. No entanto, apesar de ter registado na minha agenda do telemóvel, essa ida ao Museu dos Coches, sim porque o primeiro museu que eu iria visitar era esse, a verdade é que deixei escapar esse domingo e estou triste por isso. E não pensem que foi por preguiça que ontem acabei por não sair de casa. Na verdade, esse grande pecado às vezes impede-me de fazer certas coisas, mas no foi o caso de ontem. Eu até queria. Já tinha tudo combinado com a minha mãe para irmos, mas… eu sofro de renite alérgica e este fim de semana, tive uma crise bastante agressiva de alergia. No estado em que eu estava, era mesmo impossível sair de casa.

 

Quem sofre de renite alérgica, sabe que quando somos atacados por alergias, ficamos com os olhos inchados, uma terrível dor de cabeça, com o nariz a pingar e a espirrar a toda a hora. Ou no meu caso, espirrar é de cinco em cinco segundos. E não são daqueles espirros silenciosos, não! Infelizmente, os meus espirros até fazem a casa toda tremer, até fazem os vizinhos ouvirem e agora imaginem eu, a espirrar de cinco em cinco segundos e os vizinhos todos a ouvirem? Que horror!! E para além da aflição dos olhos, da dor de cabeça, da aflição do nariz, no sábado ainda fiquei com uma ligeira dor de garganta, que felizmente passou logo no domingo. Se ela continuasse, então seria sinal de que eu não estava apenas a sofrer de renite alérgica, mas sim de algo mais grave, tipo uma gripe, mas… não foi há poucos dias que eu tomei a vacina da gripe??

 

Hoje felizmente, quando me levantei da cama, acho que consegui dizer que estava melhorzinho. Ainda não acho que esteja a 100%, pois apesar dos espirros terem passado, pelo menos por agora, do meu nariz começou a sair só porcaria e… que horror! Só de pensar nisso fico agoniado. Se durante o fim de semana, o nariz era só pingos de água, agora, são kilos e kilos de ranhoca que saem por ali e daqui a pouco, tenho mesmo que ir à loja comprar mais lenços de papel, pois só neste fim de semana, gastei 9 pacotes de lenços e ainda um rolo de casa de banho. Só espero agora, com os anti-histamínicos que ando a tomar, que amanha já esteja mesmo a 100% mas entretanto, o primeiro domingo já passou e nada de Museu dos Coches.

06
Nov16

Doctor Strange | +Cinema

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Se há filme novo de super-heróis no cinema, isso quase que obrigatoriamente é motivo para ir ao cinema. E como sou fã dos filmes da Marvel, é obvio que fui ver o mais novo filme do super-herói, que tem o ator Benedict Cumberbatch no papel do Doctor Strange. E apesar de adorar os filmes dos super-heróis e de todo esse universo da Marvel, eu não sou propriamente um conhecedor das bandas desenhadas que inspiraram essa enorme vaga de filmes. Por isso, não é de estranhar que eu desconhecia por completo esta personagem. Talvez, através de uns desenhos animados que antigamente dava na SIC, eu talvez já tivesse ouvido falar nele, mas desconhecia por completo a sua história, a sua origem, que poderes ele tinha e qual a importância desse personagem no universo da Marvel. E agora que já vi o filme, filme esse que realmente foca-se a contar a origem do personagem Doctor Strange, eu continuo sem saber qual é a importância dele nesse maravilhoso universo. Ou seja, para vos ser sincero, tenho mesmo que admitir que este, está longe de ser o meu filme favorito dos super-heróis.

 

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Duma coisa não posso negar, apesar de não ter gostado muito deste Doctor Strange, o filme conta com um elenco maravilhoso de grandes atores. Para começar temos o Benedict Cumberbatch, que obviamente já dispensa apresentações e do modo como interpreta este Doctor Strange, fez-me convencer de que este papel foi feito especialmente para si. Temos a sempre querida Rachel McAdams, que é das atrizes que eu mais adoro, que apesar de ter aqui um papel pequeno, pouco insignificante, ela dá aqui uma frescura de realidade, num mundo onde tem vários universos paralelos. No filme, brilha ainda o ator Chiwetel Ejiofor, que desempenha muito bem o papel de Mordo e claro, é impossível não falar no vilão interpretado por Mads Mikkelsen, ele que é perito em vilões, em personagens marcantes e que mais uma vez, convence-nos a cada cena onde está presente, no papel de Kaecilius. E por fim, para concluir este leque de grandes artistas, o filme conta ainda com aquela que é sem dúvida alguma uma das minhas atrizes favoritas e é também na minha opinião, a atriz mais camaleónica de sempre. Em cada nova personagem ela transforma-se por completo e eu acho que ela é dona de uma beleza rara, de uma beleza que eu adoro. Adoraria estar perante essa grande mulher que é a Tilda Swinton, ela que, com o seu jeitinho peculiar deu uma nova vida a este filme.

 

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Ao contrário dos restantes filmes de super-heróis que prima pela força bruta e física dos seus personagens, nesta nova aventura da Marvel, o que se destaca é mesmo a magia, é o lado místico das coisas. E como eu não sou muito dado a essas coisas místicas, de magia, de mitologia, não sei se esse foi o principal motivo por não ter ficado com os pelos eriçados na hora de ver o filme. Ele está repleto de efeitos visuais, efeitos esses em que alguns, até me fizeram lembrar de algumas cenas do filme Inception. E para além dos efeitos, o filme tem momentos de drama, de alguma tensão e ainda, de forma singela, tem ainda alguns momentos cómicos. Aliás, toda a arrogância e prepotência do Doutor, faz-nos rir dele, mas nem por isso, achei que esse filme tivesse todos os ingredientes necessários para ser um bom filme. Foram de facto duas horas de puro entretenimento, mas não, não consigo coloca-lo no mesmo patamar do Homem de Ferro, do Capitão América, dos X-Men e até mesmo do Thor. No entanto, esta é sem dúvida uma boa razão para ir ao cinema.

 

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E tu? Já tiveste a oportunidade de ver este filme? Gostaste, não gostaste? O que é que achaste? Já sabes, não hesites aqui em partilhar a tua opinião e… bom cinema!!

05
Nov16

Behind The Candelabra | +Filme

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Há já imenso tempo que andava para ver este “BEHIND THE CANDELABRA” mas sem saber porque, andava sempre a adiar. No entanto, há uns dias atrás não quis esperar mais. Peguei no filme e fiquei surpreendidos com aquilo que vi. Na verdade eu até já sabia que o filme iria valer a pena, pois na altura em que o filme passou pelo canal HBO, só cheguei a ler boas notícias em relação a ele. As críticas eram todas boas e por isso, tinha quase a certeza de que iria gostar. E realmente gostei! Este “Behind the Candelabra” foi uma surpresa bastante agradável, que conseguiu superar as minhas expectativas e por isso, hoje aqui fica a minha nova recomendação para quem quer ver um bom filme e não sabe qual deles escolher.

 

Ainda está na minha memória, o dia em que tomei conhecimento deste filme pela primeira vez. Foi numa altura em que o sites davam a notícia de que este filme não iria ser exibido nas salas de cinema, pois o realizador do filme, Steven Soderbergh, já muito conhecido por outros grandes filmes, andava a ter muita dificuldade em arranjar uma produtora que estaria interessado em comercializar o filme, pois segundo elas, este “Behind the Candelabra” era um filme “demasiado gay”. Enfim! Nunca percebemos muito bem o que eles queriam dizer com isso, até porque há filmes bem mais “gays” do que este e que chegam a ser comercializados. Mas isso agora não interessa! A HBO, que tem faro para reconhecer algo que possa vir a ter sucesso, resolveu apostar neste filme e fez muito bem. O filme como já aqui dissemos foi muito bem recebido pela crítica e chegou até a ganhar imensos prémios, incluindo dois Globos de Ouro.

 

O filme conta a história de Wladziu Valentino Liberace (Michael Douglas), ele que foi um pianista prodigioso que se tornou um ícone da América dos anos 1960/70, com os seus espectáculos extravagantes e inusitados, onde misturava o virtuosismo do piano clássico com as músicas populares da época. Neste filme, é contada a tempestuosa relação com o jovem Scott Thorson (Matt Damon), seu secretário e amante desde 1977, cuja relação terminou num escândalo público, depois de seis anos de intensa cumplicidade. Em 1987, pouco antes de morrer, Liberace faz um último telefonema ao ex-amante, com quem, finalmente, encontra forma de se reconciliar.

 

 

Este é um drama biográfico que se inspira no livro de memórias do próprio Scott Thorson, "Behind the Candelabra: My Life with Liberace", onde é descrita a sua vida com o músico. E apesar de eu por aqui não ser propriamente fã nem do realizador e nem mesmo dos dois protagonistas do filme, a verdade é que tenho que ser justo. Tanto o actor Michael Douglas, que aqui está irreconhecível, como o actor Matt Damon, estiveram excelentes nos seus papéis. Muito longe daquilo que normalmente costumam fazer e… vale a pena ver! Tenho a certeza que não irão arrepender-se…

04
Nov16

Eu Sou Gay | Episódio 2 | As perguntas de um filho...

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Um pai nunca está preparado para as perguntas inusitadas de um filho. Principalmente se esse filho tiver apenas 5 anos, for super inocente e curiosidade ser coisa que não lhes falta. Nessas idades, eles querem saber de tudo e perguntam tudo sem a mínima vergonha. Eu, há uns dias atrás fui mesmo surpreendido por uma dessas questões. Sem que eu estivesse à espera, o menino que já se julga crescido, perguntou-me algo e eu… bem, eu inicialmente fiquei sem saber o que dizer, o que responder, apenas tive que respirar fundo e tentar arranjar uma solução para lhe dar resposta que ele queria, precisava ouvir. Mas começando do inicio.

Há uns dias atrás, num domingo passado, depois de termos passado a tarde com família e amigos cá em casa, a noite surgiu e logo chegou a hora de colocar o menino Artur para dormir. Por ele, ele bem que ficaria mais umas horas acordado, pois energia era coisa que não lhe faltava. Tinha passado a tarde toda a brincar com os tios, com os primos, a correr de um lado para o outro, a saltar, mas nem por isso ele demonstrava querer dormir. Mas já era tarde e mesmo ele não querendo ir deitar-se, naquela noite, coube a mim a tarefa de o ir deitar, pois a sua mãe tinha que adiantar algumas coisas para o dia seguinte. De forma a ver se o sono surgia e ele finalmente adormece-se, contei-lhe uma história, a mesma que ele já estava farto de ouvir, mas que nem por isso se cansava. Ouvia a história como se estivesse a ouvi-la todos os dias pela primeira vez. E no final da história, ajeitei os seus lençóis, acomodei-o junto com o seu peluche favorito e dei-lhe um beijinho de boa noite. E foi aí, quando estava prestes a levantar-me, é que ele sem que eu estivesse à espera, perguntou:

— Papa! O que é ser gay?

‘Gay?!’ pensei eu. Onde será que ele ouviu essa palavra, para agora estar a perguntar-me o que era? Será que tinha sido através da televisão? Não! Ele só via desenhos animados. Só se agora, os desenhos animados de hoje em dia, já falavam da palavra ‘gay’, como se estivessem a ensinar-lhes a escreverem a palavra, como acontecia em alguns desenhos animados em que ensinavam os miúdos a escrever, a ler e a contar. Será? Não! Achei estranho aquela pergunta àquela hora e antes de dedicar-me a arranjar uma maneira de o responder, quis primeiro matar a minha curiosidade.

— Mas aonde é que tu ouviste essa palavra?

E de forma tímida e a encolher-se por completo, dando logo a entender que ele tinha feito alguma coisa de errado, o pequeno Artur lá falou.

— Foi esta tarde. Eu estava a brincar com o Pedrito e sem querer ouvi essa palavra.

Percebi de imediato que ele não queria contar de forma clara, onde tinha escutado a palavra. Queria apenas obter uma resposta da minha parte, mas eu não desisti. Tendo aquele comportamento de quem tinha acabado de cometer um erro, só faltou o Artur se esconder de baixo dos lençóis, mas com o meu olhar inquisidor, ele lá desabafou tudo cá para fora.

— Eu sei que é feio escutar à porta — disse ele com medo de ser castigado por isso — mas quando estava a brincar às escondidas com o Pedrito, eu quis esconder-me no quarto da mama e do papa. Mas quando lá cheguei, assim que estava para entrar, a mama e o tio Henrique estavam lá dentro a falar e…

— E?! — disse eu à espera que ele finalmente contasse onde tinha escutado a palavra ‘gay’.

— Foi o tio Henrique. — disse ele. — Ele estava a chorar. Não sei porquê. Disse à mama que era gay e depois os dois se abraçaram. A mama disse-lhe que não havia nenhum problema nisso, mas eu não percebi nada. O que é que é isso de ser gay?

E com essa sua pergunta eu fiquei de braços cruzados sem saber o que fazer. A pergunta por si só já era estranha, mas o que me deixou surpreso naquele momento, foi saber que o meu cunhado, que não passava também de uma criança de 15 anos, era gay. Será que o Artur tinha escutado corretamente? Não que houvesse nenhum problema em ser gay, mas nunca tinha olhado para o meu cunhado dessa forma. Eu para falar a verdade não tenho lá grande contacto com o Henrique. Dou-me mais com os outros dois irmãos da minha mulher. São da minha idade, ou até mais velhos e por isso, acabo sempre por ter mais assunto com eles do que com o irmão mais novo da Sofia. Ele tem apenas uma diferença de 10 anos de idade com o Artur e os dois sim, dão-se super bem. É notário para todos, que o Henrique é o tio preferido do Artur, pois é esse que o leva a passear, o leva ao cinema, faz-lhe todas as vontades e mais algumas, mas… ser gay?! Isso é uma novidade! Nunca tinha dado conta se bem que… Agora que o meu filho falava sobre isso, já tinha realmente dado conta de que nunca o tinha visto com uma rapariga. Eu na idade dele já tinha tido algumas namoradas. Sim! Na idade dele eu até já tinha perdido a virgindade, mas ele… Bem! Eu não tinha nada haver com isso mas a verdade, é que eu via ele mais acompanhado pelo seu amigo Beto, do que com miúdas. Será que esse Beto era o seu…

— Pai! — disse o meu filho interrompendo os meus pensamentos. —  Não vai responder à minha pergunta.

— Vou filho! Vou…

Mas como dizer a um menino de cinco anos o que é ser ‘gay’? Não estava preparado para ter essa conversa agora com ele mas de forma alguma iria conseguir fugir. Assim que a sua curiosidade estava no seu mais alto nível, não havia forma de dar a volta. Para aquela noite terminar descansada, alguém tinha mesmo que matar essa sua curiosidade. Eu só não sabia era se era a pessoa certa para isso. Mas lá tentei.

— Tens a certeza que foi mesmo isso que ouviste?

— Sim! O tio Henrique chorava e disse a mama: “Eu sou gay”!

— Gay! Pois bem! — tentei eu começar por explicar. — Às vezes, ao contrário da mama e do papa, que um dia se conheceram, apaixonaram-se e casaram, às vezes há assim meninos como eu e tu, que em vez de gostarem de meninas como a mama, gostam é de meninos, entendes?

Por momentos ficou-se tudo em silêncio e eu já estava super preocupado por achar que estava a baralhar a cabeça do meu filho, com esse assunto muito delicado. Ele lá ficou com um ar muito pensativo e de imediato, percebi que estaria para vir por aí, mais uma das suas questões. E não estava errado em relação a isso.

— Mas eu gosto do Pedrito. — disse o Artur confuso — Ele é menino como nós. Isso quer dizer que eu também sou gay?

— Não! — disse eu com mais medo ainda de o estar a baralhar. — Tu gostas do Pedrito como teu amigo, ele é teu primo, verdade? Da mesma forma que eu gosto dos teus tios, mas nem por isso somos gays. O que eu estou a querer dizer é…

Meu Deus! Como é que eu iria desembrulhar essa questão?  Como é que eu iria explicar as coisas de forma a ele compreender e não colocar questões atrás de questões. Mas depois de respirar fundo, lá voltei a ganhar força para lhe falar.

— Lembras-te de no outro dia, teres-me dito que gostas da Maria lá da tua sala?

— Não pai! — disse ele de imediato. — Já não é a Maria. Eu gosto é da Mafalda ela é mais bonita…

Mafalda?! Pensei eu! Mas quem é essa Mafalda? Tinha quase a certeza absoluta que há uns dias atrás ele estava era apaixonado pela Maria. Acho que ele ainda não me tinha falado dessa Mafalda mas… não interessa! Seja Maria ou Mafalda, a explicação ia dar ao mesmo.

— Tudo bem! — disse eu. — Tu gostas da Mafalda, não é?!

Ele acenou afirmativamente com a cabeça.

— Estás apaixonado por ela, não é?

E mais uma vez ele respondeu apenas com o acenar da cabeça.

— Pois bem! Às vezes, há meninos que em vez de se apaixonarem por meninas, assim como tu gostas da Mafalda, por achares ela bonita, há meninos que gostam é de outros meninos. Se apaixonam por outros meninos, entendes?!

— Ahhh! — disse ele apenas com uma grande exclamação. Depois pensativo ficou a olhar para o infinito. Via-se mesmo que estava a tentar colocar as suas ideias em ordem na sua cabecinha. E quando tudo já estava organizado, não hesitou em voltar a questionar. — Gostam, gostam, assim como a mama gosta do papa?

— Sim! — disse eu.

— E andam de mãos dadas?

— Sim!

— E dão beijinhos?

E afirmativamente, abanei a cabeça.

— Na boca? Como a mama e o papa dão? — disse ele um pouco surpreso.

E sem conseguir responder por palavras, abanei uma vez mais a cabeça afirmativamente. E quando eu pensava que ele estava cada vez mais confuso, ele saiu-me com essa.

— Isso então quer dizer que o Beto, é o namorado do tio Henrique.

— Ah! O Beto! — disse eu surpreso com a afirmação. — Porque é que dizes isso? Já viste alguma coisa entre eles os dois?

— Nunca os vi aos beijos, nem de mãos dadas mas… — disse ele, tentando ter todo o cuidado com as palavras. — Eles estão sempre juntos, não é verdade? Eu no outro dia até perguntei ao Beto se ele era o namorado do tio, mas ele apenas riu-se e disse que eles eram apenas grandes amigos mas… não sei não.

— Mas tu já tinhas reparado nisso? — perguntei eu ainda surpreso, por descobrir que o Artur, apesar de ser apenas um menino, já tinha descoberto mais coisas do que eu.

— Sim! — disse de imediato. —  Eu acho que eles os dois se gostam. Assim como a mama e o papa.

— Pois! Deve ser.

E quando eu achava que o assunto já estava arrumado por ali, eis que o Artur volta a fazer aquele olhar de quem ainda está confuso, de quem ainda precisa ser esclarecido de algumas coisas e claro, pressenti logo que viria aí mais algumas questões. E não é que veio mesmo.

— Não percebo! — disse ele. — Ser gay é quando um menino, gosta de maneira especial um outro menino, certo?

— Sim! E quem diz menino, pode também dizer menina. Pois há meninas que em vez de gostarem de meninos, gostam de meninas. — disse eu e de imediato arrependi-me de ter dito aquela afirmação. Será que com aquilo, ele iria ficar ainda ais confuso? Mas não! O que estava a intriga-lo naquele momento era outra coisa.

— Ok mas… — continuou ele — Porque é que ele quando contou isso à mãe, ele estava a chorar? Parecia que tinha cometido um erro, que estava a fazer algo de errado. Parecia estar com medo e… É errado ser gay pai?

— Não! — disse eu de imediato, mas ele não parou de questionar.

— É errado um menino gostar de um menino de uma forma especial?

— Claro que não mas… — disse eu mas por momentos fiz uma pausa. Naquela noite já tinha passado uma etapa. Já tinha matado a sua primeira curiosidade ao explicar-lhe o que era ser gay mas agora, estava perante outra etapa. Talvez uma etapa ainda mais complicada. Pois como é que eu iria explicar-lhe que não, não havia nenhum erro em ser-se gay mas que sim, as lágrimas do seu tio devessem talvez ao medo. Ao grande medo de ser rejeitado, pela irmã, pela família, ser rejeitado pelo sobrinho que ele tanto amava. Como explicar a uma criança de cinco anos, que sem grande dificuldade percebeu que havia ali algo especial entre o tio e o amigo Beto, que infelizmente ainda existe no mundo, pessoas que olham para os gays como criminosos, como doentes, como uma aberração da natureza? Como?

Ao perceber que algo estava errado, Artur não iria desistir em obter uma resposta da minha parte. Para ele já não havia importância saber o que queria dizer o que era gay. O importante era mesmo saber o porquê das lágrimas. Saber o porque do seu tio ter dito aquilo, de uma forma como se estivesse a sofrer por isso. E eu lá tentei explicar-lhe da melhor forma possível, sem gerar mais confusões e sem qualquer tipo de rodeio.

— Eu não sei porque é que o teu tio chorava. Apenas desconfio. Desconfio porque há muita gente que ainda vê a homossexualidade como… E antes que perguntes o que é ser homossexual, digo-te já que essa é talvez a palavra correta para se referir a um gay, a um homem que ama um homem. E na visão de muita gente, o correto é o homem amar a mulher. Por isso, muitas vezes o homossexual é incompreendido. Não é aceite na sociedade. Há pessoas que maltratam, pessoas que ofendem os homossexuais com palavras que jamais deverás aprender, ouviste Artur? Há pessoas com umas mentalidades ainda muito pequenas, que fazem com que essas pessoas não vejam, que qualquer forma de amar é válida. Entendes?

Ele continuou a olhar para mim mas nada disse. Senti, no entanto, que por momentos, havia ali uma certa tristeza no seu olhar e antes que ele imaginasse um cenário muito feio para o seu tio Henrique, eu tratei logo de fazer com que ele visse um cenário bonito, e cheio de alegria.

— Talvez quando o teu tio falou com a tua mãe, ele tivesse com medo de ser rejeitado. Por isso chorava. Tinha medo de não ser aceite por ela. Medo que a sua família o virasse às costas, mas não! Eu te assegure que isso nunca vai acontecer. Para nós. Para ti, o tio Henrique será sempre a mesma pessoa. Não interessa de quem ele gosta. Ele tem todo o direito em ser feliz à sua maneira. E quanto a nós, nós só temos a obrigação de fazer com que as outras pessoas vejam o mesmo que nós. Que ele é uma pessoa, linda, maravilhosa, que simplesmente gosta…

— De outra pessoa! — disse uma voz atrás de nós.

E ao ver a sua mãe, encostada à beira da porta, o Artur lança-lhe um daqueles sorrisos que enche de alegria uma casa inteira. Eu olho para trás e lá vejo ela, a Sofia linda como sempre, mas com algumas lágrimas nos olhos, que rapidamente tratou de as limpar. Depois a sorrir para os homens da sua vida, aproximou-se de nós. Sentou-se ao meu lado, beijou-me nos lábios e de seguida, deu um beijo na testa de Artur.

— Está na hora do menino dormir, não está? — disse ela.

— Sim! — disse ele abraçando-se ao seu boneco. Mas antes de fechar os olhos, ele não hesitou em dizer mais algumas palavrinhas. — Mãe?! Se possível, depois diz ao tio Henrique que não importa que ele seja gay. Ele será sempre o meu melhor tio, o meu melhor amigo e eu vou sempre gostar dele.

— E ele de ti! — disse ela com um grande sorriso nos lábios, nos olhos, apesar de esses ainda estarem cheios de água.

E naquele momento eu fiquei ali a pensar. Há quanto tempo é que ela estava ali junto à porta a escutar a nossa conversa. Será que estava ali desde o inicio e em nenhum momento tentou ajudar-me nas questões complicadas do nosso filho? De qualquer forma não interessa. Sem entrar em grandes detalhes, naquela noite acho que tinha conseguido matar a curiosidade do meu filho. Tinha superado a prova e tinha dito apenas aquilo que eu realmente achava. Na minha casa, o tio Henrique iria ser sempre recebido da mesma forma, de braços abertos, na companhia do Beto ou de qualquer outro namorado que viesse a ter ao longo da sua vida.

Já de olhos fechadinhos e pronto para dormir e dar como terminado aquele longo domingo, eu e a Sofia levantamo-nos da cama e dirigimo-nos para a porta. Fechamos a luz e antes de sairmos, sem que eu estivesse à espera, ela beijou-me e disse:

— Amo-te!

E assim, desta forma linda, a noite de perguntas inusitadas chegou ao fim.

 

>>> E o próximo encontro do “EU SOU GAY” fica já agendado para o dia 11 de Novembro. Entretanto, relembro que também tu podes participar neste projeto. Se gostas de escrever e gostavas que aqui fosse publicado uma história real ou ficção, da tua autoria, só tens mesmo é que escrever a história e envia-la para o endereço de email: blogeusougay@gmail.com. O único critério para que a história seja aqui publicada, é em dado momento da tua história, alguém (personagem ou narrador), diga as palavras mágicas EU-SOU-GAY. Fico à espera das tuas histórias… <<<

03
Nov16

Eu Sou Gay | +Informações

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No passado dia 28 de Outubro, começou aqui no MORE, uma nova série que eu espero que seja muito bem recebida por todos aqueles que me seguem aqui no blog. O projeto EU SOU GAY, surgiu de uma ideia, onde em cada história diferente que eu escrevesse, haveria sempre algo em comum entre essas histórias. O comum, nessa série de histórias que serão publicadas em todas as sextas, é o facto de ao longo da história, um dos personagens, por variadíssimas razões, sair do armário. Essa personagem irá apresentar ao mundo o seu verdadeiro ‘eu’ e por isso, sem receios irá mesmo dizer EU-SOU-GAY. Apesar de inicialmente, este projeto contar com histórias de pura ficção, a verdade é que espero contar ainda histórias reais, do verdadeiro coming out. Por isso, se és também uma pessoa que adora escrever e gostavas de partilhar a tua história comigo e com todos os que seguem o blog, és então convidado a escrever o teu texto e a enviar para o email que foi criado de propósito para essa ocasião, o blogeusougay@gmail.com. Se aceitares esse meu desafio, existe apenas uma única regra para que o teu texto seja depois publicado nessa série de histórias. No decorrer do texto, as palavras EU-SOU-GAY têm (obrigatoriamente) que aparecer. És capaz de participar? Então eu fico à espera.

 

Entretanto, para além do MORE, foi criado ainda um blog exclusivo para este projeto. É o blog EU SOU GAY que podes encontra-lo em eusougay.blogs.sapo.pt. Nesse novo blog, todos os episódios da série serão publicados e quem seguir este novo blog, terá o privilégio de ser um dos primeiros a ler os episódios, pois aí, cada episódio será publicado uma hora antes de serem publicados no MORE. Ou seja, não custa nada seguir também esse meu novo blog, pois lá, eu prometo ainda apresentar alguns conteúdos extras.

 

Amanha, dia 4 de Novembro, será então apresentado o Episódio número 2. No entanto, se ainda não tiveste a oportunidade de ler o primeiro episódio intitulado “Uma Mãe Sabe”, então do que estão à espera? Passem já por aqui e comecem já a ler…

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